do meu íntimo, sobre o teu silêncio bruto.

em pouco tempo, murcharam as flores do vaso. solou o bolo que deixei esfriar na janela. encheu de poeira o estofado novo. em pouco tempo, sob teu silêncio bruto, tentei reverter o irreversível. mudei a mobília para deixar entrar ar. catei as migalhas de pão espalhadas pela casa. enfrentei os cupins e o vazamento do teto; pela primeira vez, me vi disposta a solucionar todos os problemas que se apresentavam. mas você, sempre brusco, não quis esperar para ver as flores que a primavera anunciava. foi quando então eu entendi o que queria dizer aquele teu silêncio bruto.

[in: anotações aleatórias que pedem pra sair da gaveta]

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