Transmutação

I

Certo dia, encontrei uma árvore encravada em meu peito.
Quando a percebi, já era grande e frondosa.
Espantada em vê-la ali, já tão bem alojada,
passei então a tentar conviver com o que carregava.
Vez por outra, podava seus galhos
(e até desconfio que a tenha regado um punhado de vezes),
mas bastava um movimento a mais e ela já me limitava o passo.

II

Hoje, enxerguei novamente a árvore,
cada vez maior e mais pesada.
Com a mente mais clara e ouvidos atentos,
rogo por firmeza, mas não rigidez.
A árvore que trago no peito não sou eu.
Sei que cortar seu tronco já não é suficiente,
e, seguindo o conselho dos pássaros,
parto em busca das ferramentas necessárias.

III

arrancar raízes:
ver-me terra fofa, arada,
abrindo espaços vazios
– adentro.

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